quarta-feira, 15 de junho de 2011

Wargames e suas pretenções ativistas

A indústria de games cresce a cada ano no mundo inteiro e todos já sabemos que o mercado dos jogos já ultrapassou o da música e do cinema. De acordo com o relatório de inteligência da Strategy Analytics, a indústria dos games irá faturar 64,9 bilhões de dólares em todo o mundo até 2013. No Brasil, apesar do faturamento ser bem menor que o das grandes empresas norte-americanas, o mercado de jogos cresceu 28% em 3 anos. No levantamento feito pela Pricewaterhouse Coopers LLP e Wilkofsky Gruen Associates, estima-se um faturamento de R$ 613 milhões em 2011 e uma cifra de R$ 799 milhões em 2014.

Um fenômeno cultural é o Call of Duty: Black Ops, que no final do ano passado, assumiu o posto de maior lançamento da história do entretenimento, onde no primeiro dia de vendas, apenas nos Estados Unidos e Reino Unido, vendeu 5,6 milhões de cópias.



O último lançamento do game Call of Duty, distribuido pela Activision em diversos países, gerou polêmica no mundo todo devido seu discurso político. Na primeira missão de Call of Duty: Black Ops, o jogador tem como objetivo matar Fidel Castro. O que deixou os cubanos indignados com a "tentativa de ataque" americana. Segundo o site de notícias gerido pelo governo cubano, Cubadebate, “a lógica do novo jogo é duplamente perversa: por um lado, glorifica os atentados ilegais planejados pelo governo americano contra Fidel Castro. E por outro estimula atitudes sociopatas das crianças e adolescentes norte-americanos”. Os cubanos viram a missão do jogo como uma "tentativa de conseguir virtualmente o que os americanos não conseguiram a 50 anos: matar Fidel".

A Activision, umas das maiores third-parties do mundo, estaria tentando trazer uma visão crítica aos jogadores? Fica claro no jogo que existe uma mensagem idealista sendo transmitida diretamente ao gamer. Podemos notar nas missões que frases ativistas estão nas narrações dos personagens.


Segundo Sergio Amadeu da Silveira, Doutor em Ciência Política pela USP, em seu texto "Game-ativismo e a nova esfera pública interconectada", "os jogos podem atrair a atenção das pessoas que não estão acostumadas com debates políticos ou não costumam ter interesse em acompanhar processos deliberativos na esfera pública". Sem dúvida nessa interconexão entre o jogador e a história do game, existe um momento onde o jogo contribui para a formação de opinião do jogador. Os debates em comunidades virtuais onde podemos observar discursos idealistas voltados para determinado game, confirmam essa linha de pensamento e nos fazem pensar a respeito do poder do game-ativismo em "denunciar, apoiar e despertar interesse por determinadas causas e campanhas sociais, políticas e culturais".


Luana Azevedo

Por uma outra Globalização

Se pararmos para pensar nas fases da Globalização, percebemos que o desejo pelo poder cresce com ações irresponsáveis de dominância. Desde o Colonialismo, que surgiu com as viagens de descobrimento e conquistas, o mundo é prejudicado em troca de um bem maior para determinados senhores. O objetivo naquele momento era conquisar territórios, os quais não estavam desocupados. Entre 1500 e 1600, dos 80 milhões de nativos existentes na América, 70 milhões foram exterminados junto a mais de 2 mil linguas. Culturas e povos foram perdidos.
 
O período da Globalização atual que tem como uma das bases, o casamento entre a Ciência e a Técnica, com o uso voltado para o mercado, onde a Ciência produz com interesse comercial e não na humanidade, nos mostra claramente que os territórios deixaram de ter fronteiras rígidas, e as empresas transnacionais ocupam os territórios sem responsabilidade alguma por eles. Um exemplo de total irresponsabilidade é a privatização da água que pode destruir mais de 6 bilhões de pessoas no mundo.

Milton Santos, autor de "Por uma outra globalização - do pensamento único à consciência universal", acreditava na existência de 3 mundos: 1) um mundo tal como nos fazem vê-lo: uma globalização com fábula = consumo; 2) o mundo tal como ele é: a globalização como perversidade = exploração do trabalho e riquezas naturais; 3) o mundo como ele pode ser: uma outra globalização = relações solidárias. Milton disse que "nunca na história da humanidade, houve condições técnicas e científicas tão adequadas a construir o mundo da dignidade humana" e que essas condições apenas foram expropriadas por um punhado de empresas "que decidiram construir um mundo perverso". Segundo o autor, cabe a nós fazer dessas condições materiais a condição material da produção de uma outra política.
 


Portanto, paro para pensar no porquê indivíduos deixam-se levar hoje pela grande mídia, sabendo que a mesma, é uma imensa máquina de criar informações, com repetição mundial de idéias, debates e manchetes. É preciso percebermos que a produção de novas formas de totalitarismo manejada por pequenos grupos - que podemos formar - produz efeito contrário ao objetivo do globaritarismo, que é tornar a informação em instrumento de grande finança. A informação tem poder de unir e mover nações, e nós temos o poder da voz, portanto, sou a favor sim de uma globalização solidária e creio na capacidade que a população tem para mudar o cenário mundial. Somos bilhões sendo prejudicados por corporações dominantes, mas devemos lembrar que tais grupos dominaram com o poder do discurso, mesmo poder que temos em nossas mãos e ferramentas de comunicação.


Luana Azevedo.