Walter Benjamin - Publicado em 1955
Resenha por Luana Azevedo
Walter Benjamin em seu texto A obra de arte na era de sua reprodutibilidade técnica, nos apresenta o conceito de obra de arte, sua falsificação e a reprodução da cópia. Analisa a arte como pintura, fotografia e cinema, abrangendo assuntos políticos, religiosos e históricos.
Para Benjamin, a obra de arte sempre foi reprodutível já que tudo o que o homem cria pode ser imitado por outros homens. Porém, mesmo em uma reprodução perfeita, um elemento deixa de existir: o aqui e o agora da obra de arte, sua existência única. Na obra original a autenticidade está neste aqui e agora, o momento em que a arte foi produzida, a própria criação como a aura presente neste trabalho, o que a torna pura. No momento em que a obra é reproduzida e multiplicada, a beleza da sua existência única é substituída por uma existência serial. E na medida em que a reprodução técnica permite o alcance do espectador, a obra é atualizada. No cinema esse fenômeno é proposital, segundo Benjamin, o cinema não é original, já nasceu como cópia, recriando cenas do mundo real e produzido em série para sua comercialização e alcance das massas.
O texto nos permite analisar o fato das antigas obras de arte surgirem para fins ritualísticos e religiosos, mesmo no culto do Belo surgido na Renascença. Walter Benjamin destaca a partir desta menção a percepção para o momento em que a arte se emancipa destacando-se do ritual e passa a ser produzida cada vez mais para sua própria reprodução e sua função social se transforma: em vez de fundar-se no ritual, passa a fundar-se na política. Observamos o valor do culto, recuar ao valor de exposição mesmo oferecendo resistência. As antigas fotografias eram retratos de uma família inteira, pessoas que deixam saudade, que foram levadas pela morte e perpetuam a aura nas expressões faciais. A partir do momento em que o homem deixa de estar na fotografia para dar lugar a ruas vazias, o valor da exposição supera o valor do culto.
Benjamin coloca a falsificação mais próxima da obra de arte do que a reprodutibilidade técnica. Um artista que reproduz uma tela com seus detalhes perfeitos está produzindo arte enquanto um mero copiador ao reproduzir a mesma tela em série está completamente distante da obra. A aura está presente na expressão artística e na confecção da tela. Walter Benjamin declara que no cinema o mesmo fenômeno não ocorre, porque o objeto reproduzido deixa de ser uma obra de arte e tampouco a reprodução técnica do filme se apresenta com tal essência. Tendo em vista que todo conteúdo apresentado no filme foi testado e refeito diversas vezes até ser escolhida uma interpretação do ator cinematográfico, a arte do cinema consiste no conceito da obra e não na sua produção.
Ao analisar o trabalho do intérprete cinematográfico, onde o mesmo pode escolher a forma que interpreta para a massa e como coloca seu estrelato no mercado capitalista, podemos comparar a técnica de produção também na política. O “personagem” pode controlar o que será mostrado para a massa e apresentar-se da forma que desejar. No fim do século XIX, com a imensa ampliação da imprensa, surgiram muitos órgãos políticos, religiosos, científicos e um número grande de leitores começaram a escrever. Os políticos perceberam que o público passou a ter a necessidade de compreender e criticar suas ações, o que obrigou os políticos a criar determinados partidos e personagens públicos para atender a cada exigência da massa.
Benjamin compara o trabalho do cinegrafista com o pintor: o pintor observa em seu trabalho uma distância natural entre a realidade dada a ele próprio, ao passo em que o cinegrafista penetra profundamente as vísceras dessa realidade. Lembra-nos que o dadaísmo tentou produzir através de suas obras, os efeitos que o público procura hoje no cinema: uma percepção sensível capaz de nos atingir. E critica o momento atual onde a quantidade converteu-se em qualidade, diferencia o recebimento da obra de arte entre a massa e o conhecedor, quando a massa procura diversão nas obras de arte enquanto o conhecedor a vê como objeto de devoção.
O texto abordado termina sua reflexão na estética da guerra, onde o fascismo vê sua salvação ao permitir às massas a expressar sua natureza, porém certamente não expressar seus direitos. O autor vê todos os esforços para estetizar a política tendo o foco na guerra, porque somente ela pode dar um objetivo aos grandes movimentos de massa. E faz uma comparação crítica remetendo-se à época de Homero onde a humanidade oferecia-se em espetáculo aos deuses olímpicos e nos dias atuais, ela se transforma em espetáculo para si mesma. A auto alienação permite o homem viver sua própria destruição com prazer estético.
