quinta-feira, 29 de setembro de 2011

“Raça e História” - Textos de Lévi-Strauss Resenhados por Luana Azevedo

Raça e Cultura
Diversidade das Culturas
O Etnocentrismo

Textos de Lévi-Strauss, “Raça e História” Publicado em 2000
Resenhados por Luana Azevedo



Lévi-Strauss afirma em seus textos que não existe superioridade ou inferioridade intelectual nas raças e culturas. Coloca-nos em questão o erro intelectual de Gobineau, pai das teorias racistas, que afirmou não existir desigualdade das raças humanas, porém repudiava a mestiçagem, o que deu margem para diversas discussões antropológicas, inclusive ênfase para o discurso de Adolf Hitler sobre a miscigenação das raças. Segundo Lévi-Strauss, a diversidade intelectual, estética e sociológica entre as raças não está ligada a nenhum plano biológico, e sim a fatores e circunstâncias geográficas, históricas e sociológicas. E ressalta que existem muito mais culturas humanas do que raças humanas. Duas culturas entre humanos da mesma raça podem diferir tanto ou mais que culturas de povos racialmente afastados. Essa diversidade cultural pode ser vista como vantagem ou inconveniente para a humanidade já que os grupos se subdividem em muitas outras culturas.

As culturas humanas não têm um grau de importância maior uma sobre a outra do mesmo modo que as raças não se distinguem. Vivemos em sociedades contemporâneas e ainda assim discriminamos os povos que ignoram a escrita e denominamo-os selvagens e primitivos. As desigualdades dos grupos sociais surgem a partir do afastamento geográfico, das propriedades particulares do meio e da ignorância em que se encontram em relação ao resto da humanidade. Encontram-se assim na afinidade ao desejar obter com a diferença cultural, sua superioridade. Um grupo deseja se destacar dos demais grupos próximos e distantes com objetivo de superá-los, seja na religião, na linguagem ou nos costumes, portanto as noções da diversidade humana não devem ser concebidas de uma maneira estática. A partir desse anseio de oposição e de serem elas próprias, não se sentindo atrasado quanto ao grupo vizinho, muitos costumes nasceram. Portanto, a diversidade das culturas humanas está mais ligada às relações que as une que a função de isolamento dos grupos sociais.

No texto O Etnocentrismo, Lévi-Strauss aborda a atitude mais antiga dos psicológicos sólidos, que consiste em repudiar as formas culturais, morais, religiosas, sociais e estéticas mais afastadas daquelas que nos identificamos. A humanidade acaba em sua fronteira geográfica, lingüística, e nessas fronteiras designamos quem é o homem que possui virtudes e o homem que as detém. Analisamos claramente o paradoxo do relativismo cultural no mesmo texto, onde observamos que nos identificamos completamente com aqueles que tentamos negar, quando pretendemos estabelecer discriminação entre as culturas e os costumes de um distinto povo. Lévi-Strauss critica o falso evolucionismo presente na tentativa de suprimir a diversidade das culturas ao fingir que a conhecemos perfeitamente. E acrescenta que o evolucionismo social não é nada além da maquilagem falsamente científica de um velho problema filosófico para qual um dia a observação e a indução possam um dia fornecer a chave.

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